Porto Alegre, Brasil: Barricada incendiária e faixas ao amanhecer em solidariedade com Mônica e Francisco

Recebido em 01.08.2020:

Porto Alegre. Barricada incendiária e faixas ao amanhecer em solidariedade com Mônica e Francisco. Diante do Inimigo: Indomáveis!!! 

Sentimos desde a sexta feria passada 24 de julho o encarceramento de dois anarquistas: Mônica Caballero e Francisco Solar, conhecidos ácratas inimigos do Estado e da dominação. Passaram anos detidos primeiro no Chile pelo Caso Bombas, e logo na Espanha, mais de 4 anos sequestrados acusados de atacar uma basílica, uma igreja católica. E hoje, eles são sequestrados novamente pelo estado chileno acusados de mandar dois pacotes explosivos, um contra uma delegacia policial famosa por protagonizar repressões e o outro contra o ex Ministro do Interior Rodrigo Hinzpeter, velho repressor e mandante de sentar a bala desde sua escrivania, o que alguns chamariam de autor intelectual dos crimes do Estado chileno. Também são acusados de serem responsáveis por dois artefatos explosivos deixados no prédio de uma empresa imobiliária de luxo, a Tánica.

Longe das lógicas punitivas, não existe um chamado pela inocência dosmcompas, eles não são nem inocentes nem culpados. São parte daqueles que estão do outro lado da máquina de dominação e da sociedade que a sustenta, são daqueles que já demonstraram que não negociam com a repressão quando ela bate nas suas portas, daqueles que gritam morte ao
estado e que viva a anarquia na cara mesmo dos juízes. Não se reconhece o poder da democracia nem das suas redes de dominação sobre as ações dos compas nem sobre o caráter “supostamente criminoso” das ações das quais eles são acusados. O chamado é a propagação da hostilidade como ação solidária com todos os que lutam e mediante a ação, à solidariedade que propaga a ação que ofende a normalidade imposta, porque esses atos
solidários também expandem a sedição anárquica contra a dominação.

Não é nenhuma novidade que o Estado mata e tortura usando para isso não apenas políticas de morte, mas, sobretudo o braço armado das forças da ordem, ou seja, todas suas polícias, que são sempre desprezíveis.

Já o papel da igreja nesta vida miserável é fundamental, a Igreja é a produtora espiritual de dominadores sem culpa e dominados conformados. A Igreja, seja qual for, é uma das maiores cúmplices da manutenção da ordem doentia da democracia e da exploração do trabalho, provocando nas pessoas a doença da inferioridade e da entrega da vida e das decisões em mãos de um inexistente fetiche. Mas pouco parecem se preocupar com os
milhões de pessoas que perdem sua liberdade de agir e pensar, dominados por algum pastor ou padre.

Deste lado da cordilheira, o cenário não é muito diferente. De polícia assassina e mutiladora sabemos bem, da vida condenada a miséria também, e do papel das mais diversas igrejas na multiplicação de dominados conformados e dominadores sem culpa sabemos ainda mais.

Alguns elegemos manter acesa a raiva contra isso tudo, cientes de que a passividade apenas fortalece os que dominam, cientes de que para que o dominador triunfe é fundamental a cumplicidade de todos. Em tempos em que muito se fala contra o fascismo e frases como “com o fascismo não se discute, se combate” são repetidas, escolhemos que as ações falem, e isto vale mais do que centenas de palavras encerradas na normalidade das redes sociais, o novo curral da liberdade de expressão.

Por isso escolhemos o dia em que o tirano que nos impuseram passeava na região para não colaborar com a imagem de gado submisso que desejam lhe apresentar.

Esperar que essa dominação acabe pelo esgotamento dos tiranos? Esperar que um novo líder mude algo? É preciso tomar nossas vidas em nossas mãos e para isso é imprescindível morder nosso algoz. Ao final toda ação violenta é válida e está justificada por séculos de dominação.

Todo pequeno ato, simples como juntar uns pneus, iluminá-los com um pouco de gasolina, mudam a normalidade de um dia qualquer, provocam outros inconformados, e colaboram com a solidariedade combativa.

Que estas labaredas aqueçam e tragam ânimo aos anarquistas que na Itália, Rússia, Indonésia, Espanha, França, Bielorússia, Chile… enfrentam os gélidos ventos repressivos.

Que o fogo das barricadas aqueça o frio do amanhecer.

Nas faixas podia se ler: “Diante do inimigo: Indomáveis! Força Monica e Francisco!” e na outra “Contra toda autoridade! Que viva a anarquia!”.

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